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Santuário Sagrado Coração de Jesus Fortaleza - Ceará

A Misericória Divina

segunda-feira, 24 de abril de 2017

“Fica a saber Minha filha que o Meu coração é a própria Misericórdia. Desse mar de Misericórdia fluem graças pelo mundo.” (Jesus a Santa Faustina)

“Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5,7). Aqueles que praticam a misericórdia, o senhor Jesus não promete nada além do que aquilo que eles já vivenciam: a misericórdia. Nas demais Bem-aventuranças, a promessa contém sempre algo mais, leva para longe: os que choram serão consolados, os puros de coração verão a Deus. Porém, o que mais Deus poderia dar mais aos misericordiosos? A misericórdia é já plenitude de Deus e dos homens. Os misericordiosos vivem, já estão na mesma vida de Deus.

A palavra «Misericórdia» é antiga. Durante a sua longa história, tomou um sentido muito rico. Em grego, Na língua do Novo Testamento, misericórdia diz-se éléos. Esta palavra nos é bem familiar através da oração Kyrie eleison, que é um apelo à misericórdia de Deus. Éléos é a tradução habitual, na versão grega do Novo Testamento, da palavra hebraica hésèd. É uma das mais bonitas palavras bíblicas. Geralmente, traduzimo-la simplesmente por amor.

Já a palavra Hésèd, misericórdia ou amor, faz parte do vocabulário da aliança. Da parte de Deus, um amor inabalável, que pode manter uma comunhão para sempre, não importa o que vier a acontecer: «O meu amor por ti nunca mais será abalado» (Isaías 54,10). Mas, como a aliança de Deus com o seu povo é uma história de rupturas e de recomeços desde o início (Êxodo 32–34), é claro que um tal amor incondicional implica perdão, ou seja, misericórdia.

Éléos traduz ainda uma outra palavra hebraica, rahamîm. Esta palavra relaciona-se com muita frequência a hésèd, porém está mais cheia de emoções. Literalmente, quer dizer as entranhas; é uma forma plural de réhèm, o seio materno. Por isso a misericórdia, ou a compaixão, retrata aqui o amor profundo, a afeição de uma mãe por seu filho (Isaías 49,15), a ternura do pai pelos filhos (Salmo 103,13), um amor fraternal constante (Génesis 43,30).

No sentido bíblico, a misericórdia, é mais do que apenas um aspecto do amor de Deus. Deus por três vezes pronuncia o seu nome a Moisés: Primeiro, diz: «Eu sou aquele que sou» (Êxodo 3,14). Na segunda vez: «Concedo a minha benevolência a quem eu quiser, e uso de misericórdia com quem for do meu agrado» (Êxodo 3,19). Para Deus, ser quem ele é, é ter benevolência e misericórdia. Por fim a terceira proclamação do nome de Deus: «Senhor! Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e de fidelidade» (Êxodo 34,6).

O que há de mais divino em Deus é a misericórdia e no homem é também o que existe de mais completo: «ele te enche de graça e de ternura», diz ainda o salmo 103. Feitos à sua imagem, os homens são chamados a partilhar a glória e a honra de Deus. Porém, são a misericórdia e a ternura que nos fazem realmente participar na própria vida de Deus.

«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lucas 6,36) essa palavra de do Senhor ecoa de um antigo mandamento: «Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo» (Levítico 19,2). À santidade, Jesus deu o rosto da misericórdia. O mais puro reflexo de Deus na vida humana é a misericórdia. Dizia Basilio o Grande: «Pela misericórdia para com o próximo, tu tornas-te parecido com Deus». A humanidade de Deus é a misericórdia. E é também o futuro divino de homem.

Frei Renê Tomaz
Reitor do Santuário