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As Ordens Mendicantes: Franciscanos e Dominicanos sua atuação e contribuição para a Igreja

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O século XIII é considerado fecundo porque nele surgem várias ordens religiosas que para a Igreja terão grande importância, mesmo que no início do século a sua proliferação tenha causado certo mal-estar, sendo que em 1215 o IV Concílio de Latrão proibiu a fundação de novas ordens nesta mesma perspectiva também o Concílio de Lião de 1274.

Mesmo assim nesse cenário político e conturbado, nascem duas grandes ordens, dos Franciscanos e dos Dominicanos, no decorrer dos anos elas demonstram o quanto correspondem às exigências do tempo. Digamos que elas são especiais na história da Igreja, pois em sua organização e constituição tornam-se um novo paradigma perante as ordens religiosas já existentes.

As ordens mendicantes obrigavam não só a cada frade, mas também os conventos mesmos à pobreza mais severa, limitando-os à posse do mínimo indispensável. Eles deviam buscar seu sustento mediante o trabalho manual, e especialmente, como o seu sustento mediante as esmolas recolhidas mendigando ou oferecidas pelos fiéis de espontânea vontade; em troca, procuravam compensar êsse benefício com a pregação e o trabalho pastoral (assiduidade no confessionário). [...].[1]

As ordens mendicantes diferentemente das outras possuem características próprias que resultaram de certa forma em uma mudança de comportamento ou digamos de renovação de costumes no que diz respeito ao estilo de vida das ordens religiosas da Igreja sobretudo das monásticas em vez do recolhimento, da clausura, os mendicantes estavam na missão, pregação, no meio do povo, exemplo disso é que sua residência era nas cidades e apoiavam-se na burguesia nascente. Outra característica inovadora era o despojamento de tudo, as ordens mendicantes não optaram pelo voto de estabilidade, viviam na itinerância. Podemos nos perguntar: As ordens mendicantes eram ou não um sinal de contradição para a Igreja daquele tempo pelo seu próprio estilo de vida? Não ter estabilidade tão peculiar às ordens existentes naquele tempo, mostra de certa forma uma espécie de identificação do povo para com elas, ou seja, havia uma proximidade e um testemunho de vida mais concreto isso parece ser o diferencial, sobretudo com relação ao clero daquele tempo que estava completamente entregue às riquezas e aos prazeres do mundo, fato esse que motivou o surgimento da heresia. Os mendicantes retornam às fontes, pois procuravam imitar a Cristo em uma sociedade há muito tempo secularizada, passando a serem os promotores de uma verdadeira reforma. Pela sua maneira de viver mostram ao clero que o seu retorno à pobreza apostólica era possível, questionamentos esses levantados por todos os movimentos heréticos que surgiram naquele tempo.

Com grande entusiasmo essas ordens tiveram uma dedicação especial à cura das almas, que estavam abandonadas. Abrandaram as tensões existentes entre pobres e ricos que os interesses econômicos daquele tempo tinham produzido. Para o papado as ordens mendicantes serviram como uma espécie de “exército móvel” no combate à heresia e no desenvolvimento da obra missionária no meio dos pagãos e maometanos, com objetivo de atingir seus fins político-eclesiásticos e de reforma; destacaram-se também na área da ciência eclesiástica onde conseguiram atingir ótimos resultados.

A constituição das Ordens Mendicantes é como o seu mesmo objetivo reclama, rìgidamente centralizada e tende a uma composição corporativa das fôrças, à sua frente está o Geral da ordem (MinisterGeneralis) para os Franciscanos, e (Magister generalis para os Domincanos); dele dependem os ministros ou priores das provincias (regiões) em que a ordem se estende, os quais se reúnem periòdicamente com êle (para os Franciscanos a cada três anos, para os Domincanos inicialmente uma vez por ano depois com menor freqüência) no capitulo geral ao qual compete o poder legislativo sôbretôda a ordem.[2]

Depois nas Ordens Mendicantes, existem as Ordens Terceiras que por sua vez estão unidas a Ordem I e II, ou seja, aos ramos masculino e feminino. Elas não deixam de ser inovação, pois são destinadas exatamente para laicos. Definitivamente a Ordem Terceira remonta seu surgimento a São Francisco de Assis, ela forma uma associação de leigos ligados ao ideal franciscano da perfeição. Com o apoio do cardeal protetor de Óstia, em 1221 São Francisco dá uma regra a esta ordem. Eram homens e mulheres que por algum motivo não podiam ingressar no convento. Esses (as) fazendo parte da ordem terceira continuam, no século com suas famílias, propriedade, e profissão, mas dedicados a exercícios de oração, penitência e de amor para com os irmãos em nome dos irmãos da penitência, sob a orientação da ordem primeira.

A Ordem, dos Franciscanos ou dos Frades Menores como é conhecida é a mais importante das Ordens Mendicantes, teve como fundador São Francisco de Assis nascido em (1181 ou 1182) que em 24 de fevereiro de 1209 na igrejinha da Porciúncula após a leitura do texto de Mateus 10, 7 que fala da missão dos apóstolos ficou certo de sua vocação. Ele queria seguir o Cristo na pobreza apostólica e ser pregador itinerante. Muitos companheiros uniram-se a ele nesse ideal imitando os pobres do lugar, assim se vestiram; túnica com capuz, tendo amarrado na cintura um cordão. Assim sendo, constituía-se a ordem de Francisco que ele quis chamar de ordem dos frades penitentes de Assis ou frades menores. Fez uma pequena regra baseada no evangelho e conseguiu a sua aprovação oral de Inocêncio III. São Francisco morreu em 3 de outubro de 1226, na Porciúncula dois anos depois de receber os estigmas de Cristo no Alverne. Foi considerado santo, por Gregório IX em 16 de julho de 1228.

O termo mendicantes pode parecer esquisito para aqueles que não tem muita familiaridade com o assunto. Deve ficar claro que esse termo não se refere a uma associação de mendigos ou que pretende trabalhar com mendigos. Essas Ordens foram fundadas para trabalhar nos campos do Senhor; subsistiam do seu próprio trabalho e não

de “prebendas” concedidas pela Igreja. Na falta do trabalho os frades especificamente os franciscanos se dedicam à mendicância. As esmolas pedidas ao povo pelos frades São Francisco as chamava de “Mesa do Senhor” exatamente para designar aquelas esmolas de que vive o pobre.

Logo depois dos Frades Menores em 1216 surgiu a Ordem dos Frades Pregadores “Ordo FratrumPraedicatorum” ou como são mais conhecidos dos dominicanos. São Domingos foi contemporâneo de São Francisco, pois nasceu 10 anos antes dele.

O motivo da fundação da ordem de São Domingos podemos encontrá-lo no zelo que os eclesiásticos espanhóis tinham com relação à ação missionária seu trabalho missionário entre Cátaros e Albigenses, na França meridional.

São Domingos[3] nasceu no ano de 1170 em Calaruega, Castela. Mas em 1216 funda em Tolosa, especificamente para a diocese, uma associação de pregadores, eram homens preparados por um estudo teológico e por uma rigorosa prática ascética tendo como objetivo a salvação das almas pela “sanctapraedicatio”, isto é, os dominicanos procuravam instruir o povo sobre as verdades da fé e ao mesmo tempo desenvolviam uma espécie de defesa da Igreja contra o que diziam os hereges.

Particularmente admirável na fundação dessa Ordem é a clareza que nela dominou, desde o princípio, na determinação dos fins. Domingos supera São Francisco em acuidade, cultura e senso prático; por sua vez o segundo supera o primeiro pelo ardor do sentimento religioso e na relevância e originalidade da personalidade. Colocar como fim principal de uma associação religiosa a difusão da palavra de Deus, era uma coisa de completamente nôvo (sic). Em dezembro de 1226, com a aprovação da Santa Sé, Domingos já enviava para todo o mundo os seus frades pregadores.[4]

Um fato interessante é que o Capítulo Geral, o primeiro dos Dominicanos especificamente deu um rosto mendicante à Ordem, ou seja, os seus membros teriam que renunciar a propriedades e a qualquer entrada estável ou regular, assim como faziam os Frades Menores. Mas, mesmo com esse rosto bastante semelhante ao dos Frades Menores, os Dominicanos mostram uma identificação e afinidade mais forte com as Ordens mais antigas; como os Cistercienses e os Premonstratenses. A pobreza para a ordem foi entendida e vivida de forma bem menos rigorosa. A regra dos Dominicanos serviu de modelo para várias outras Ordens religiosas que surgiram mais tarde, São Domingos morreu no dia 06 de julho de 1221 na cidade de Bolonha e foi canonizado por Gregório IX em 1234.

Com a morte de Domingos quem passa a dirigir a Ordem é o bem-aventurado Jordão (1226-1237). Formado em Paris, possuía grande capacidade organizadora, foi também responsável pela redação da Constituição da ordem. No seu governo a ordem se difundiu de forma extraordinária, desde a Escócia até a Síria, sua influência era quase como a dos franciscanos.

[...] Desenvolveram uma grande atividade na pregação, na cura de almas, nas missões entre os infiéis, na luta contra a heresia – a inquisição foi confiada já por Gregório IX de preferência a eles; – enfim, desde os primórdios, êles (sic) como pertencentes a uma ordem de sacerdotes propriamente dita, atribuíam fundamental importância a uma formação teológica sistemática e ao estudo de tal disciplina nas universidades de Paris e Bolonha firmaram-se desde 1218; na época do apogeu da escolástica deram à teologia e à filosofia luminares de sumo valor [...].[5]

Cresceu muito a mística dos Dominicanos de maneira especial na Alemanha no século XIV e na ordem das irmãs Dominicanas que tinham sua sede na cidade de Prouille desde 1227 e em Roma (S.Sisto 1220 ou 1221). Na Alemanha o número de dominicanas era bem maior do que o de dominicanos.

O hábito era de lã branca a eles se uniu um grupo de leigos, chamada “Milícia de Cristo” que tinha o objetivo de defender os bens da Igreja. No século XIII surge a Ordem Terceira dos irmãos e irmãs da penitência de São Domingos, que mais tarde passou a ser uma ordem claustral de terceiros regulares.

Retirado do livro: São Francisco Amante da pobreza. Premius Editora 2011.

 


[1]BIHLMEYER, Karl & TUECHLE. Hermann. História da Igreja vol 2. São Paulo: Paulinas, 1964. p. 295-296.
[2]BIHLMEYER, Karl & TUECHLE. Hermann. História da Igreja vol 2. São Paulo: Paulinas, 1964. p.296.
[3]Era cônego regular no mosteiro de Osma.
[4]BIHLMEYER Karl & TUECHLE Hermann. História da Igreja vol 2, São Paulo: Paulinas, 1964. p. 305.
[5]BIHLMEYER Karl & TUECHLE Hermann. História da Igreja vol 2, São Paulo: Paulinas, 1964. p.306.