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Santuário Sagrado Coração de Jesus Fortaleza - Ceará

Clara, uma mulher toda de Cristo

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Meus irmãos e minhas irmãs. Paz e Bem!

Santa Clara nasceu em 1193, de família nobre e rica, porém trocou toda riqueza e nobreza pela simplidade e pobreza de acordo com o estilo de vida apontado e observado por São Francisco de Assis.

Sua familia já preparava o seu casamento, por interesse econômico e social, mas a jovem, por volta dos 18 anos, causou admiração a todos com um gesto muito ousado: iluminada pelo desejo de seguir a Cristo e pela grande admiração que São Francisco lhe provocava, Clara foge da casa paterna e, juntamente com a amiga Bona di Guelfuccio, e passa a morar com  os frades menores secretamente na igrejinha popularmente chamada de  Porciúncula. Segundo os biógrafos da santa era noite do Domingo de Ramos do ano de 1211.

Nessa circunstância, Francisco cortou os cabelos de Clara e lhe deu um rude hábito penitencial enquanto os frades seguravam tochas acesas. Assim sendo, torna-se uma virgem noiva de Cristo, simples e pobre, e a Ele  consagra-se totalmente, suportando com decisão à ríspida oposição da família.

Neste sentido Clara fala assim de Jesus à mulher que se devota por completo a Ele:

“Amando-o, sereis casta; tocando-o, sereis mais pura; deixando-vos possuir por Ele, sereis virgem. O Seu poder é mais forte, a Sua generosidade mais elevada, o Seu aspecto mais belo, o Seu amor mais suave e toda a graça mais fina. Agora estais apertada pelo abraço dele” (Primeira carta).

Santa Clara e sua espiritualidade

Em sua quarta carta a Inês de Praga podemos encontrar a síntese da sua proposta de santidade. Santa Clara apropria-se de uma imagem muito divulgada na Idade Média, e influenciada pela patrística: o espelho. E convida a amiga a olhar-se naquele espelho de perfeição, de toda a virtude, que é o próprio Senhor. Assim diz ela:

“Feliz aquele a quem é dado degustar esta sagrada união, para aderir com as profundezas do coração [a Cristo], aquele cuja beleza admiram incessantemente todas as abençoadas hostes do céu, cujo afeto apaixona, cuja contemplação restaura, cuja bondade sacia, cuja suavidade preenche, cuja memória resplandece suavemente, a cujo aroma os mortos voltam à vida e cuja visão gloriosa tornará abençoados todos os cidadãos da Jerusalém celeste. E porque Ele é o esplendor da glória, candor da luz eterna e espelho sem mancha, olha todo dia para este espelho, ó rainha esposa de Jesus Cristo, e nele escruta continuamente o teu rosto, para que possas assim adornar-te toda no interior e no exterior (…) Nesse espelho refulgem a abençoada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade” (Quarta Carta).

Santa Clara de Assis, Rogai por nós!

Frei Francisco Renê Tomaz Bezerra
(Reitor)