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O Tau

Publicado por Agência Paróquia na Net em 14 de junho de 2016

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Neste capítulo em que tento falar de alguns aspectos que nos possibilitem sentir a espiritualidade de Francisco, por exemplo, comecei mencionando os aspectos da figura de Cristo na vida de Francisco, não poderia deixar de falar do Tau, símbolo tão característico de Francisco e dos seus filhos. Muitos são os elementos que podem nos levar a esse imenso oceano que com o passar dos séculos se tornou a espiritualidade franciscana, porém, não tenho a pretensão de esgotar todo o conteúdo e nem posso, pois seria necessário um estudo bem mais aprofundado, de anos de pesquisas sei que algumas gotas poderei no momento sugar desse imenso oceano.

Assim sendo o Tau não poderia ficar de fora dessa abordagem e nem poderia dizer que seria somente um complemento do tópico anterior, pois dentro da teologia e da espiritualidade franciscana ele tem o seu singular valor. Mas podemos dizer que o Tau, este símbolo, teve grande influência na vida de penitência do pobrezinho de Assis. Pois ele evoca o sinal da cruz, Francisco o evocava como um sinal de devoção e muitas vezes pode ser encontrado esse sinal em suas cartas. Como podemos ver no livro de Ezequiel esse sinal para marcar a fronte de todos aqueles que realmente queriam a conversão. Era um sinal de salvação.

Na vida de Francisco o Tau tem grande importância, São Boaventura fala disso dizendo-nos que a missão de Francisco na Igreja é exatamente essa, marcar com o Tau a fronte daqueles que por meio da penitência se convertem a Cristo.

O que nos interessa realmente é a espiritualidade deste símbolo em São Francisco. Explorando essa espiritualidade encontramos quatro dimensões que são essenciais para a fé e a mística de Francisco.

Sem essa marca não existe possibilidade de salvação. Na visualização deste sinal por Francisco nele se confirma a sua salvação. É também com este sinal que Francisco anima frei Leão na fé, quando este se encontra diante de dúvidas com relação ao “seu destino eterno”. Francisco traça o sinal do tau na fronte de leão devolvendo-lhe a esperança.

Alegrando-se na companhia do bem-aventurado pai, Frei Pacifico começou a sentir as unções que ainda não havia sentido. Pois reinteradamente lhe era permitido ver o que se velava aos outros. Viu depois de pouco tempo, um grande sinal Tau sobre a fronte (cf. Ez 9,4; Ap 7,3) do bem-aventurado Francisco, qual apresentava a beleza do pavão com círculos variegados.(2Cel 106,15).

O sinal do Tau evoca em Francisco e também nos seus frades que para um homem ganhar a salvação é preciso que ele seja batizado no sangue de Cristo que veio a nós através do seu sofrimento na Cruz. Daí vem aquela recitação: “… Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as vossas Igrejas. E o que  não é menos de admirar, faziam o mesmo onde quer que vissem uma cruz ou um sinal da cruz, seja na parede, seja nas árvores, seja nos sebes” (1Cel 45,6-7).

A espiritualidade do Tau outra coisa não é senão a espiritualidade da cruz, do amor a Cristo que morre por nós na cruz. O livro do Êxodo lembra a Francisco o cordeiro pascal com cujo  sangue se desenhava um Tau salvador no limiar das portas das casas, e é por esta razão que ele mesmo assinalava com o Tau as paredes das celas dos irmãos.

A Cruz para nós é o maior sinal da nossa salvação, assim também foi para Francisco. Era na cruz que ele renova  todos os dias a beleza desse mistério. Nós também devemos trazer conosco exemplo de Cristo e de Francisco.

… Igualmente, se fosse mais belo e rico do que todos e também se operasses maravilhas, de maneira a afugentares os demônios, tudo isto te é contrario, e nada te pertence, e nada dessas coisas podes gloriar-te; mas nisto podemos gloriar-nos, em nossas fraquezas (cf. 2Cor 12,5) e em carregar cada dia a santa cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 19,17; Lc 9,23; 14,27) (Ad 5,7).

Até mesmo no sinal do Tau encontramos uma espiritualidade profunda de Francisco pelo Cristo-Homem. É o Cristo da Cruz que se manifesta fortemente na vida de Francisco. O seguimento e a imitação de Cristo estão presentes exatamente na vivência desse mistério da cruz. É no Cristo crucificado que Francisco compreende qual é verdadeiramente sua vocação e missão.

A cruzada desejada por Francisco era a cruzada do Tau. Cruzada essa, não somente formada de soldados. Francisco queria uma cruzada de homens que vivessem a contemplação da cruz por meio da penitencia “fazei penitencia (cf. Mt 3,20), produzi dignos frutos de penitência (Lc 3,8), porque em breve morreremos” (RnB 21,3). Eram esses homens vindos de Assis que iriam converter a todos.

Aqui a espiritualidade do Tau se liga à espiritualidade da seqüela Christi. Jesus havia dito: “Quem quiser me seguir deve tomar sua cruz”. São Francisco compreende assim: “Quem quiser me seguir deve estar marcado com o Tau que tem a forma da cruz”. Gostaria ele de ter chegado até o ponto do martírio embora já estivesse assinalado com um Tau de sangue. Seu martírio se concretizaria nos estigmas.

Mesmo que em Francisco encontremos uma profunda admiração pelo Cristo da Cruz, não poderia deixar de dizer que essa cruz para ele também é motivo de alegria. É neste sinal de alegria que manifesta o tau que encontraremos um grande tesouro escondido em Francisco. Fazendo uma interpretação histórica poderia dizer que foi no encontro com o Cristo na cruz que Francisco é chamado a servir, é através dela que ele enxerga a vida, não mais se sente morto em sonhos como antes.

… o Tau é símbolo da vida nova que nasce da conversão a Cristo e ao seu Evangelho; é o emblema da penitência, resdescoberta e compreendida biblicamente como profunda mudança interior e ao mesmo tempo, é sinal exterior de uma busca que caracterizou toda existência de Francisco.

“Est Tau vivifico insignitus…Crucifixiservulus”. Na liturgia do tempo de Francisco a letra Tau era dada às mesma qualidades que a Cruz. Portanto, o Tau também é uma sinal de vitória se olharmos para ele como hoje olhamos para a cruz nele uma nova vida desponta para a humanidade, foi através de Cristo que nos veio a vitória. “…Mas na cruz da tribulação de cada aflição nós nos podemos gloriar, porque isso é nosso e assim diz o apóstolo: Não quero gloriar-me, senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao qual sejam dadas honra e glória in saeculaseculorum. Amém” (Fior 8).

Extraído do Livro “O Santo de Assis – Uma Mensagem para os Nossos Dias”.

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