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Santuário Sagrado Coração de Jesus Fortaleza - Ceará

Os estigmas de Cristo impressos em São Francisco

terça-feira, 19 de setembro de 2017

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O Santo não tinha medo a morrer. Tinha rompido, através do despojamento total, com as coisas que o prendiam à terra; pelo, exemplo do Apóstolo, conseguiu ter o domínio sobre o seu corpo: a sua alma devia separar-se sem rasgar seu envoltório físico.

Se não tremelicava com a aproximação do momento último, queria pelo menos preparar-se para chegar diante do Magnifico Juiz. Assim sendo, foi rumo à solidão, para se retirar por algum tempo.

Esteve em Alverne no verão de 1.224. Era uma clausura campestre, erguida precariamente no alto de uma montanha escarpada. Rochas abertas que formavam grutas, as matas cheias de pássaros, distante do centro urbano tornava o sítio encantador e ideal para os exercícios da contemplação.

Morada esta doada pelo Conde Orlando, senhor de Chiusi. Francisco gostava muitíssimo daquele lugar. Assim que chegou ao lugar do seu retiro, o santo de Assis começou um jejum de 40 dias em honra de São Miguel.  Dedicava o tempo à oração, que lhe lhe fazia experimentar delícias que nunca lhe pareceram tão saborosas.

Em suas preces pedia ao Senhor que lhe permitisse  conhecer as obras às quais deveria consagrar os últimos momentos da vida. A resposta, Deus o encheu abundantemente de suavidades interiores. Então Francisco recorreu ao seu método habitual: abriu o Evangelho ao acaso, por v vezes, várias esperando encontrar ali um esclarecimento.

Por várias vezes abriu no relato da Paixão. Isto lhe causou surpresa: chegou a conclusão que o Senhor queria uni-lo mais intimamente aos seus sofrimentos.

Os calores diminuiam; o Alverne já se transformava com a magnificência do outono. Debaixo das grandes árvores, cuja folhagem se tornava dourada, o pensamento do santo estava na adorável imolação de Cristo, quando inesperadamente lhe apareceu um Serafim todo brilhante. O Anjo parecia admiravelmente o Salvador pregado no patíbulo.

O Santo reconheceu maravilhado os traços do divino Crucificado; a sua alma foi inflamada com um amor tão ardente e tão doloroso, que o seu fraco corpo não resistiu: caiu em profundo êxtase. Depois disso e dos mistérios que lhe foram revelado e que nunca contou, pois os mistérios de amor não se divulgam, Francisco percebeu que uma transformação tinha acontecido nele: na sua carne  estavam impressos os sagrados estigmas da Paixão. Francisco tornara-se um crucificado vivo.

Uma experi6encia  assim não podia passar precipitadamente. Embora todos os esforços para afastar as curiosidades levianas, Francisco não conseguiu disfarçar inteiramente os estigmas. O seu prestígio, já tão grande, aumentou cada vez mais: a sua vida chegava ao  numa espécie de glorificação.

O Serafim que imprimira no seu corpo as chagas de Cristo, também as colocara no seu coração. Desde aquele dia, Francisco não fez mais do que desalentar bem devagar no duplo martírio da dor e do amor.

Ainda atravessava amarguradamente os caminhos da Úmbria,  pregando menos pela palavra e mais pelo exemplo.  Ao caminhar,  da sua alma emanava o imenso amor pelo divino Mestre; mostrava-o em termos tão enérgicos, que sentia por vezes a necessidade de se desculpar.

Não fostes Vós  que nos destes – dizia ele ao Salvador – o exemplo desta sublime loucura? Vós vos lançastes á procura da ovelha desgarrada; caminhastes como um escravo, como um homem inebriado de amor”.

Para embelezar sua coroa, Deus enviava-lhe as últimos martírios. O Santo notava que alguns religiosos, alguns poucos, aspiravam excluir a pobreza da Ordem: profetizava que os seus frades passariam, depois da sua morte, um conflito maléfico.

Além da tristeza que o abatia aumentava o peso da enfermidade. A saúde diminuía, a vista escurecia; os remédios mais fortes só lhe dava uma melhora frágil. Mesmo com todo o sofrimento  Francisco manifestava, uma alegria pacificadora. Mas o seu espírito libertava-se cada vez mais das preocupações deste mundo; o seu retirar-se tornava-se mais intenso. Os que estavam à sua volta notavam a aproximação da hora de sua morte.

 

Frei Renê Tomaz
Reitor de Santuário